domingo, 25 de setembro de 2011

Os patins que não calcei

Carlitos pronto pra se jogar no mundo sobre rodas. 

Uma adolescência sem patins pode transtornar a vida de uma mulher:
Quantos volteios não a teriam tornado mais bamboleante?
Quantas lesões não a tornariam mais atenta às armadilhas da existência?
Quantos machucados não teriam encorpado uma história relatada pelas cicatrizes?
Tantas coreografias ficaram presas no quarto da imaginação.
Tantos rostos toscos de adolescentes débeis e felizes com seu par.
Houve dias em que quase incorporou a sanha de Carrie, a estranha.
Mas sobreviveu à base de tombos em veículos de duas rodas.
Empacotou sua frustração em papel laminado e correu para o mundo.
Hoje tomba nas pistas de gelo do país tropical, presa à falta de intimidade com as quatro rodas...nos pés

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Um herói mitológico e seu martelo


Meu herói predileto nos quadrinhos era Thor, o Deus do Trovão. Thor e sua cabeleira loura indômita, seu poderoso martelo que martelava a cabeça dos adversários e os reduzia a pedregulhos. Thor era lindo, viril, íntegro, bom de briga. Uma "coisa" mesmo. Filho de Odin., dono do martelo de pedra Mijollnir, Thor era invocado na mitologia dos países nórdicos (norte da Europa) como uma força vingadora.

Força da natureza no paganismo germânico, surgido no período medieve - séculos V a XV. Já no século XIX, é representado nas óperas alemãs de forma distanciada da iconografia do medievo. Sua armadura lembra a de um soldado romano nos gloriosos tempos de Júlio Cesar e seu elmo com asas é influenciado pelas fantasias dos anos oitocentos.

Neste 2011, Thor apareceu na telona em filme dirigido pelo ator britânico Kenneth Branagh. a história reproduz a mitologia nórdica: o homem do martelo está prestes a receber o comando do seu pai Odin, vivido com pompa e circunstância pelo ator britânico Anthony Hopkins, quando forças inimigas quebram um acordo de paz.Thor apela para o martelo e desafia o pai ao deflagrar uma guerra entre reinos. Odin retira os poderes do filho e o expulsa para a Terra. É lá que Thor será ajudado por mortais a recuperar seu martelo. Idas e vindas, batalhas e seus desdobramentos marcam a trama. No final, Thor se livra de tudo que atrapalha, recorre a um novo fluido capilar, usa o martelo em toda a sua potência, reconquista o pai, a amada, o espelho de Narciso.

Eu não vi, mas jurava outro dia que havia sonhado com o martelo de pedra do deus do Trovão dia desses..

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sobre a salvadora Dali


'Rosa Meditativa', 1958, Salvador Dalí

Kaiony Venâncio é um cara muito articulado e cheio de ideias. Pois não é que ele me surpreendeu vivamente hoje? Com o texto abaixo publicado no blog que leva seu nome, ele deu uma olhada na direção das janelas da alma que abrigo.

Obrigada, Kaiony, especialmente por ser este o dia em que completo 49 anos de uma vida que existe, multifacetada, colorida, por vezes destoante mas nunca amorfa.

um beijo com gosto de admiração

Stella


Beijada Com Gosto De Pão 

Natureza de águas claras com o peso destrutivo dos maremotos roucos, Por que me encurralas nessas ondas esmagadoras? Por que és salvadora Dalí, daqui, de acolá, do será, do sentir, do xixi...infantil, juvenil, vinil, sei lá...?
Do choro das penas das águias que saudosamente caem dos picos das montanhas mais altas, anuncias a renovação das suas asas e gritas: "mídias".

Tens vida e vida plena, bobamente alegre e instigante em Dó Maior. Sinfonia dolorosa dos cantos multisônicos que emergem de seus vácuos, dos sensatos amassos no portão da tua casa, da tua adolescência desenfreada.
Menina descalça correndo na rua, nua, descascada, sarada, transformada, em pitobas tiradas de doces amores.

Vulcânica, por que cheiras as pipocas alheias? Não mereço teus afetos? Decretos! Pise e passe a bola pro destino campeão, a vitória é perto, sorria de perto. Teus saltos são tão altos que não consegues equilibrar? Vire a esquina bem devagar...Há bêbados à procura de parceiros pra se embriagar. Oxalá revoltasses contra esses dilemas, destruindo as cenas desses pífios encenadores do nosso sistema.

Na tua ponte há riscos e riscos de lápis de cores e dores. Eras abatidas como prato principal dessa sociedade que te estereotipa flagelando e gelando o caldo sobrado no fundo do aço.
Não estais só debaixo desses sóis bronzeantes e castigantes, tens ombros, gêmeos ombros, gente longe que torce o sono e inventa ônus pra te brindar.

Não calas
Não me calas
Mordaças
Em escalas
Descendo escadas
Perdas das almas
Escravas
Espadas
Empadas de luxo
Sorrisos de ouro
Verdadeiro rosto
Escritos de novo
Não vens de casulos nem quebras de ovo
És Stella Galvão
Princesa Midiática de uma nova nação
Filosofia beijada com gosto de pão. 
 
http://kaionyvenancio.blogspot.com/